Educação à distância
Rogério da Silva Nunes
Universidade Federal de Santa Catarina
Ir à China é uma experiência única, é entrar em contato com uma realidade muito diferente da nossa. Hábitos, costumes, religião, política, idioma, enfim são muitas as diferenças que nos fazem refletir entre adaptar-se ou enfrentar, resistindo à convivência com esta outra realidade.
Agora volte ao parágrafo acima e releia substituindo China por EaD. Experimentou? Que tal? É claro que você pode fazer tal experiência com outros termos, e não pretendo prescrever uma resposta que solucione suas dúvidas, prefiro levá-lo a refletir acerca de posições fixas e pré-concebidas que temos com relação a vários assuntos, que neste caso é a educação à distância.
O Prof. Dr. Kong Sin Cheung nos brindou com uma grande palestra no Instituto de Educação de Hong Kong (IEHK), pois não se preocupou em dizer que EaD funciona e sim em como ele a utiliza. E fez mais, demonstrou usando o youtube e, quando provocado a demonstrar como ensina Matemática com EaD, demonstrou, apesar da dificuldade do idioma e de não ter previsto tal demonstração em sua apresentação.
E como está concebida a Educação a Distância que o Prof. Kong Sin Cheung utiliza? Está baseada na definição de cinco aspectos principais: e-recursos, e-comunicação, e-pedagógico, e-portfólio e e-management. Ou seja, é preciso definir políticas e planos de ação que propiciem ensino e aprendizagem e para que isto ocorra são necessários planos de ação em cada um dos cinco aspectos citados.
Não tenho a intenção de esgotar todas as ações apresentadas, destaco alguns que julguei mais relevantes. Por exemplo, nos e-recursos está a questão da plataforma, que costuma ter um componente financeiro e que é a base de todo o sistema. O IEHK está migrando de uma plataforma própria para a já bem conhecida plataforma do moodle, mas e-recursos também é utilizar e estimular a utilização de cursos abertos através do Google, Wikipédia, e-journal, e construção de páginas na internet.
Na comunicação eletrônica (e-comunicação) está a utilização de Ipad, Iphone, MSN e redes sociais (facebook foi citado como exemplo). Conheço várias IES no Brasil que bloqueiam tal acesso aos alunos e o Dr. Cheung nos falou de como aproveitá-las para a realização de ensino e aprendizagem. Não sei se teríamos professores, aliás ele também afirmou que nem todos os professores de lá estão aptos.
Na pedagogia eletrônica (e-pedagogia) está a preocupação em desenvolver melhoria na aprendizagem através da utilização de tecnologia digital. Foi citado um projeto referente às novas maneiras de ensino/aprendizagem e é, obviamente, um campo de pesquisa para educadores e, principalmente sua utilização conjunta com o ensino presencial.
Tem ainda o e-portfolio, com a descrição do que está previsto e utilizado para que ocorra o ensino/aprendizagem, e o gerenciamento eletrônico (e-management), mas prefiro enfatizar as políticas que envolvem o sistema. Foram citadas a infra-estrutura necessária, suporte técnico e, entre outros, a questão do plágio, com o dilema que tal questão envolve.
Por um lado, há um forte estímulo e suporte para que os estudantes utilizem a internet em sua aprendizagem. Por outro, como saber se o material que está sendo entregue por um estudante é original? A resposta veio por duas direções distintas: tecnologia e educação. Faz parte do processo educacional, habilitar o estudante a pesquisar e a utilizar material disponível na internet, mas ele deve ser esclarecido com relação a limites, riscos e punições a que se está sujeito. Tal processo tem o auxílio de uma ferramenta que identifica originalidade dos textos, o Turnitin, um software que indica a porcentagem de originalidade de um texto. A partir de tal identificação, é definida uma política de quanto é aceito e quanto não é aceito. E o que ocorre com o texto não original? O estudante é chamado a refazê-lo, sabendo qual problema foi encontrado em seu texto. Ou seja, o processo educacional antecede, e muito, o da punição.
Foi interessante e única a viagem, assim como a experiência com o Prof. Cheung, principalmente pelas diferenças observáveis também na China. Ficamos alguns dias no continente asiático sem acesso a youtube, Google, facebook…Enquanto isso, na ilha ao sul do continente, o acesso não só era livre como fazia parte dos recursos didáticos utilizados formalmente na formação dos estudantes. Não é só Brasil que se caracteriza por ser um país rico em sua diversidade…
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